Depois de um voo nocturno de 12horas, depois de uma sesta mal amanhada no meu espaço privado de 50cm2 com um cobertor que apenas me tapava metade dos braços e nada mais, e uma almofada que parecia um esfregão para lavar-loiça; depois de ter ficado cerca de uma hora na fila para me carimbarem os passaportes, na alegre companhia de outros europeus; depois de ter andado à procura da mala no meio de um tapete enorme; depois de tudo isso, cheguei finalmente à Argentina.
Rapidamente arranjei um taxi, um homezinho que se ofereceu logo, mas que fugiu a correr porque disse que tinha que ir buscar o carro...e eu pensei, bom, começa bem...passaram-me imensos veículos e historias pela cabeça: será que ele vai buscar uma pickup e eu vou ao pé dos porcos? será que é um carro comercial e eu vou na porqueira? será que é uma carrinha cheia de feno e eu vou lá em cima? bom, na verdade era menos romântico ou estranho que tudo isso, simplesmente era um taxi com o vidro da frente fendido, talvez devido ao último Boca-River Plate, ou talvez apenas por causa da manifestação que houve ontem...ou será que foi a de antes de ontem...?
Meto o malão no porta-bagagens e lá seguimos para a cidade.
Estava cansadíssimo, estava a falar espanhol pela primeira vez na minha vida; apenas lhe indiquei a morada e calei-me. Às perguntas mais habituais de taxista de aeroporto ainda lhe consegui dizer que era metade português e metade italiano, e depois novamente me calei.
Eram apenas 8 da manhã e o Sol já corria pelo céu fora. Estamos no meio do campo, uma pradaria imensa e plana se estende através da janela do taxi; tiro os óculos escuros por desespero, por necessidade, não se fossem derreter de tamanha intensidade de luz. E é aí que reparo no céu...
que raio...
o céu
que tem ele?
é diferente, só sei disso. Mas porque é que é diferente? O que tem de diferente?
Parece...mais azul...
Parece...mais próximo de todos nós...
Acabei por não tirar nenhuma foto. Ficou apenas uma memória bastante torta desse primeiro céu sul-americano.
Estou cá já à mais de 2 semanas, e apesar de sentir que o céu é diferente, nunca o foi tão diferente como nessa viagem de táxi...
terça-feira, 31 de março de 2009
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